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Obras de modernização da Escola Secundária Abade de Baçal PDF Imprimir e-mail
Luísa Lopes e Paula Minhoto   
20-Jul-2008

Aliar a tradição e a modernidade

A Escola Secundária Abade de Baçal foi contemplada pelo programa de modernização das escolas secundárias e inicia este ano um processo que a transformará na escola mais moderna e actual do distrito, capaz de fazer face às exigências da sociedade contemporânea.

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Imagem cedida por Morphopolis, oficina de arquitectura 
Este programa visa a melhoria da qualidade dos espaços físicos e do equipamento, como condição para o incremento da qualidade das práticas de ensino e de aprendizagem. Uma escola moderna, dotada de equipamentos de qualidade será capaz de responder aos desafios do uso intensivo de tecnologias de informação e comunicação, do trabalho oficinal e experimental e de outras actividades complementares à sala de aula.
Da responsabilidade da empresa pública Parque Escolar, o investimento rondará os mil milhões de euros ao longo de 9 anos (até 2016), “visando recuperar e modernizar os edifícios, potenciando as condições para uma autêntica cultura de aprendizagem, divulgação do conhecimento e aquisição de competências, abrir a escola à comunidade, recentrando a escola nos meios urbanos em que se inserem, criando condições de espaço funcionais e de segurança, para que nos horários pós ou extra escolares, os edifícios possam ser utilizados pela comunidade no âmbito das actividades associadas à formação pós-laboral, aos eventos culturais e sociais, ao desporto e ao lazer”, segundo o testemunho da direcção desta empresa.
 
A acompanhar este processo, está João Ortega, professor da escola e fundador e sócio-gerente da oficina de arquitectura Morphopolis, com quem conversámos para conhecre um pouco melhor esta situação. 
 
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Arquitecto Ortega, no seu gabinete 
Como entrou neste processo?
Fui convidado pelo Conselho Executivo para apresentar um projecto de candidatura de obras de beneficiação para a escola. Surpreendi-me quando fomos convocados para a apresentação da 2ª fase do Programa de Modernização e soubemos que a nossa escola ia beneficiar deste. Pela primeira vez defende-se que deve ser feito aquilo que é necessário. E isto só a nossa incapacidade de realizar as coisas é que fará com que não aconteça. É a escola que é a principal responsável pelo sucesso deste projecto.

Como é feito o financiamento?

A forma de financiamento é diferente da habitual. Existe um acordo com uma instituição bancária que financia a obra a longo prazo. Uma cota do financiamento que a escola vai receber é para pagar ao banco.

A empreitada da obra é da responsabilidade da escola?
Não, uma das qualidades deste modelo é as obras serem lançadas todas simultaneamente, o que se por um lado limita o número de empresas com capacidade de concorrer, pois têm que possuir uma capacidade financeira gigantesca, têm por outro lado a vantagem de oferecer uma garantia a três anos, embora saibamos que as grandes empresas também possam falhar…

Então não vai beneficiar a economia local…
Não, de todo.

Mais uma vez verificamos que a autonomia da escola não se aplica…
A escola não teria capacidade para o fazer. É necessário uma empresa com grande capacidade de gestão.

Quando está previsto o início das obras?

O calendário prevê que as obras comecem este ano. Há prazos apertados que é necessário cumprir. Não haverá qualquer prejuízo de aulas. A gestão do projecto contempla este aspecto. A Parque Escolar tem experiência nesta área e orgulha-se de ter realizado com sucesso todas as obras deste género.

Qual o papel da escola, então, nestas obras?
A escola tem que gerar um projecto educativo que justifique as obras que vão ser feitas, definir o rumo que quer seguir. O Projecto Educativo tem, ainda, de entroncar num projecto de cidade. Também esta só sobreviverá se se especializar. Por isso, o fundamental, para mim, é definir bem o Projecto Educativo. Temos de saber o que queremos, a escola que queremos para que a transformação que a escola vai ter sirva esses objectivos.

Quem é o autor do projecto?
O projecto foi entregue a um professor da Universidade do Porto. É a Parque Escolar que entrega o projecto, que abrange várias escolas. A nós compete-nos discuti-lo, adaptá-lo à nossa especificidade, ao nosso Projecto Educativo, às nossas necessidades. Esta é uma grande virtude. Nunca houve neste país uma ideia de intervir nas escolas todas com a profundidade que se está aqui a dar. É mesmo fazer aquilo que for necessário. A minha função é fazer a ligação entre o autor do projecto e a especificidade da escola.
 
Concretamente, que obras vão ser feitas? Como vai ficar a escola?

Eu não tenho o projecto ainda. Mas posso avançar alguns aspectos. Em primeiro lugar, o edifício deve cumprir integralmente a legislação referente a edifícios públicos. Esta legislação contempla questões de segurança, de eficiência energética, de segurança, higiene, optimização acústica, qualidade do ar, entre outros.
A nossa escola tem a vantagem de ter uma qualidade de construção muito boa, superior às construções mais recentes e isso verifica-se na robustez do edifício que sobrevive com dignidade ao tempo. Depois destas obras, será um espaço moderno, actual, completamente equipado em termos laboratoriais e informáticos e ainda com a qualidade do ar controlada por processos mecânicos, com uma elevada preocupação de poupança energética (a estrutura das paredes da nossa escola já assegura aquilo que se designa por inércia térmica, o que já é uma grande vantagem, que tem de ser aproveitada, mas precisa, por exemplo de possuir caixilhos de rotura térmica e vidros duplos). É tornar a escola um espaço apelativo, seguro, atractivo e com qualidade.
As obras terão de cumprir o RCTE, o regulamento de comportamento das características térmicas do edifício. Mesmo a envolvente do edifício deve ser pensada de forma a contribuir para essa eficiência energética.
Outra ideia estruturante é a abertura física à comunidade, com serviços que possam ser usados por esta.

Mesmo não tendo conhecimento do projecto, sabe de alguns espaços que vão ser criados?
Em princípio um polivalente, essencial numa fase em que se recuperou a máxima “mente sã em corpo são”, indiscutível face ao desafio que as escolas têm de vencer. Já referi que uma das ideias estruturantes deste projecto é a abertura da escola ao meio. Este entrará também a nível de espaços escolares diversos que gerarão uma forte dinâmica com ele.
O objectivo desta remodelação é tornar a escola um espaço apelativo e com qualidade. O principal problema é a existência de pouco espaço, por isso a obra implicará com certeza um novo bloco, que possibilite a construção de mais salas, espaços administrativos e gabinetes, que contemplem todas as estruturas da escola.
Esta modernização implica, também, o apetrechamento das salas com todo o equipamento necessário. Será aproveitado aquilo que for possível, os laboratórios, por exemplo, só mudarão de local se for impossível mantê-los por condicionarem fortemente o projecto.
Pouco mais posso dizer. Na reunião em que estive definiram-se sobretudo as necessidades. Brevemente, será apresentado o projecto, se os prazos forem cumpridos, como me parece que tem acontecido até agora.
 
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