| Saramago desvenda “Caim” no encerramento de “Escritaria” |
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| Clube de Jornalismo | |
| 26-Out-2009 | |
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(Veja também o vídeo, na vídeogaleria ) Numa sala do Museu Municipal de Penafiel, apinhada, os olhos concentraram-se no rosto sério de José Saramago e os ouvidos na sua voz grave, que, na apresentação do seu último livro, Caim, evidenciou, uma vez mais, a sua principal preocupação: o Homem. ![]() Se a Bíblia é o ponto de partida, ela não é, com certeza, o de chegada. Caim não é um reconto, mas uma criação. É a prova de que é preciso ver o outro lado das coisas, como aconselhou os presentes a fazerem: “Vejam o outro lado da vida, assumam a recusa, no exercício de uma liberdade responsável”. É a palavra “não” que “nos obriga a pensar, é ela que reflecte a nossa liberdade interior – a única verdadeira”. A única também que só é válida de o homem se consciencializar de que é “ o outro do outro”. Durante quase duas horas, num discurso que fluiu como o tempo e marcou os que o ouviram, José Saramago, com a ironia e irreverência que o caracterizam, desvendou partes do livro, recontou peripécias bíblicas, recordou momentos da sua existência - para exemplificar a sua relação com a Igreja ou a descoberta da importância do outro lado da realidade, aquilo que só se vê se for procurado -, desejou que a leitura do livro ajudasse o leitor a ver esse “outro lado” e prometeu outro romance no próximo ano. Abriu-se, então, Caim e foi a voz de Saramago que desvendou as primeiras linhas. Depois os autógrafos, horas de fila, o último regresso, momentâneo, do livro ao seu criador. Terminou a segunda edição de “Escritaria”, um “projecto multidisciplinar que tem como objectivo catalisar discursos artísticos, culturais e científicos, independentemente do seu suporte de materialização.” A primeira edição, em 2008, foi uma homenagem a Urbano Tavares Rodrigues e a segunda ao Nobel português da literatura. Durante uma semana, os penafidelenses puderam (re)encontrar-se com as personagens saramaguianas na rua ou no cinema, e contactar com o próprio escritor. Fez-se cinema, teatro, pintura, fotografia, música e literatura. Fez-se cultura. |
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