| Vinte anos sem muro |
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| Joana Teixeira - 10ºB | |
| 06-Nov-2009 | |
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Todos os anos, milhares de pessoas reúnem-se em Berlim para festejar a unificação da capital alemã. Foi já há vinte anos que os berlinenses exigiram atravessar o muro, obrigando os guardas a deixá-los passar, terminando com anos de separação.
Durante mais de duas décadas, entre 1961 e 1989, a cidade de Berlim esteve dividida por uma das mais sofisticadas barreiras construídas pelo Homem. Do muro faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Destinava-se a pôr fim à longa sucessão de fugas de cidadãos da República Democrática Alemã para a República Federal da Alemanha. O célebre Muro de Berlim, erguido pela República Democrática Alemã durante a Guerra Fria, circundava toda a cidade e simbolizava a separação do mundo em dois blocos: o primeiro constituído pelos países capitalistas e encabeçado pelos Estados Unidos e o segundo constituído pelos países socialistas simpatizantes do regime soviético. Mas, no Outono de 1989, os acontecimentos no território da antiga República Democrática Alemã sucediam-se a uma velocidade estonteante. Os regimes começavam a perder força com a substituição dos seus elementos mais fanáticos por elementos mais disponíveis ao diálogo com os movimentos da oposição. Günter Schabowski era porta-voz do governo comunista da República Democrática Alemã e dava diariamente a cara ao anunciar as novas medidas em conferências de imprensa. Foi este que, na tarde fria de 9 de Outubro de 1989, leu o comunicado que autorizava os alemães orientais a viajar para o ocidente sem quaisquer restrições burocráticas. No instante em que Schabowski declarou que as novas regulações entrariam em vigor imediatamente, a comunicação social noticiou que os alemães orientais podiam atravessar a fronteira inter-alemã em qualquer ponto e a principal fonte de informação independente para a população da Alemanha de Leste anunciou que o Muro de Berlim estava a ser aberto. Poucos minutos depois, dezenas de milhares de alemães orientais começaram a confluir para o muro que dividia a capital do país dividido. Sem ordens dos seus superiores e sem saber o que fazer, os guardas fronteiriços simplesmente abriram a fronteira para deixar passar as multidões, através deste marco da cortina de ferro que separou a Alemanha e o mundo em dois mundos diferentes. A abertura do muro era algo imprevisível e os principais líderes políticos estavam incapazes de fazer alguma coisa; Gorbachev dormia, Kohl estava ausente em Varsóvia, Bush pai apenas assistiu pela televisão. A noite de 9 de Novembro de 1989 foi mágica, a festa de rua espontânea dos berlinenses naquela noite gélida foi seguida com estupefacção nas televisões de todo o planeta. A facilidade de atravessar o Muro hoje em dia contrasta com as vidas perdidas de quem o tentou fazer antes de 1989. Cerca de 80 pessoas identificadas morreram, 112 ficaram feridas e são incontáveis aquelas que ficaram aprisionadas nas tentativas de o atravessar. Vidas que são lembradas diariamente por quem passa em Berlim e vê o traçado onde há vinte anos atrás habitou o muro, reconhecidas por quem visita os museus a ele relativos, homenageadas pelas flores deixadas em Berlim e pelas comemorações anuais que acontecem na Alemanha e no mundo. Infelizmente, no mundo, foram e ainda são levantados muitos muros como este, muros discriminatórios, racistas…, muros feitos nas nossas cabeças, que nos impedem de agir com isenção, que nos prendem a preconceitos, a ideias preconcebidas e nos impedem de pensar e de os quebrar. Temos como missão continuar empenhados, comprometidos a um esforço contínuo que nos permita, um dia, festejar também a sua inutilidade e a sua queda. |
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