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Alterações Climáticas PDF Imprimir e-mail
Manuel Trindade   
11-Dez-2009
Palestra_ambiente_09
No passado dia 23 de Novembro decorreu, na biblioteca da Escola, uma palestra sobre alterações climáticas lavada a cabo pela área disciplinar de Geografia e dinamizada pelo Prof. Doutor Luís Costa. A actividade foi acompanhada pelos alunos do oitavo e do décimo anos, de Geografia, além de alguns colegas que nos honraram com a sua presença.
 
O tema escolhido justifica-se face à natureza dos conteúdos leccionados nesta área disciplinar, por um lado, e à indiscutível actualidade do problema que preocupa o mundo, por outro.
Considerando que as orientações curriculares, tal como a mensagem oficial, quer dos Estados quer dos organismos internacionais como a ONU, vão no sentido da sensibilização para o cuidado a ter na preservação do meio ambiente e em particular para evitar ou reduzir o impacto de acções que contribuam para aumentar os gases efeito de estufa (GEE) e dessa forma evitar o aquecimento global, não deixa de causar alguma perplexidade o facto de nos últimos dois anos ter assistido a 3 conferências realizadas por peritos nacionais e internacionais e nenhum deles embalar no dogmatismo das alterações climáticas. As alterações climáticas de que tanto se fala, segundo esses especialistas, não passam de uma sucessão de ciclos de maior ou menor temperatura que sempre caracterizou a evolução natural do clima na terra. Agora, simplesmente, atravessamos um dos períodos em que as temperaturas são mais altas, mas ao qual se sucederá outro com temperaturas mais baixas, defendem.
Aquilo que parece ser a visão consensualmente alarmista das alterações climáticas não deixa de nos suscitar algumas reticências face às reservas de alguns investigadores e à cada vez menor credibilidade de certos organismos internacionais face ao seu posicionamento ético na tomada de posição sobre outros assuntos de interesse geral.
Se considerar que estão a ocorrer alterações climáticas no presente, à luz dos princípios rigorosamente científicos, é questionável, já não podemos por em causa o aumento significativo de alguns gases efeito de estufa (GEE) que, em excesso na atmosfera, parecem vir a ter efeitos nefastos à escala global no que ao aumento do efeito de estufa diz respeito e por consequência ao célebre aquecimento global.
Tenhamos presente que os referidos gases, como o CO2, o vapor de água, o metano, o óxido nitroso existem na atmosfera e são imprescindíveis para que o efeito de estufa exista e assim possamos ter um clima suportável, o que de outro modo era impossível. Ou seja: o efeito de estufa é não só natural e benéfico como imprescindível. O problema coloca-se quando por razões meramente antropogénicas esses gases atingem valores superiores aos desejáveis acentuando esse efeito de estufa e contribuindo para o aumento da temperatura global do planeta.
E evitar que a terra aumente em 2 graus a sua temperatura média parece ser o objectivo dos técnicos e especialistas que integram as comitivas das 192 representações diplomáticas reunidas em Copenhaga entre 7 e 18 de Dezembro.
Esta actividade sobre alterações climáticas acontece num momento particularmente interessante já que coincide no tempo e nas preocupações com a referida cimeira – Copenhaga 2009. Esta sucede-se à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre alterações climáticas em Maio de 1992, à Cimeira da Terra, realizada no Rio de Janeiro, em Junho de 1992, ao célebre protocolo de Quioto em 1997 e à Rota do Bali em Dezembro de 2007.
Em todas estas cimeiras o que esteve e está em causa é a necessidade de os chefes de Estado e de Governo chegarem a um entendimento sobre a necessidade de redução das taxas do carbono (CO2). Com feito é sabido que as emissões de GEE em excesso na atmosfera, se devem essencialmente à queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, carvão e o gás. Ou seja, as principais fontes de energia responsáveis pelos transportes mas também pelo funcionamento de grande parte das actividades económicas.
E se é verdade que no geral a maioria das 192 representações diplomáticas presentes em Copenhaga está de acordo quanto à necessidade de redução dos GEE, não é menos verdade que divergem quanto aos valores. Neste aspecto a UE é a que lança metas mais arrojadas para o futuro ao defender uma redução de pelo menos 20 a 30% de CO2 a conseguir até 2020.
Mas há outras propostas e outros problemas. Os países menos desenvolvidos não querem ajudar a pagar um factura da qual dizem não serem responsáveis, já que a situação presente se deve aos 150 anos após a Revolução Industrial que caracterizou e desenvolveu o chamada primeiro mundo. E como é compreensível eles acham-se no direito legítimo de também fazerem algo para ajudar o desenvolver os seus países e a melhorar a vida de milhões dos seus habitantes. O Brasil é o estado que tem assumido mais veementemente a defesa dos menos desenvolvidos. Mas outros problemas surgem quando falamos nos principais emissores de CO2. Neste momento são, por ordem decrescente, a China, os EUA, a Rússia e a Índia. Mas considerar as responsabilidades em função da quantidade de emissões por país não é algo pacificamente aceite. Não só por razões de responsabilidade histórica mas porque países como a China e a Índia consideram que se os cálculos fossem feitos com base na média per capita ou na relação entre a emissão e o PIB (Produto Interno Bruto) a sua posição, nomeadamente a da China, não seria hoje a do primeiro lugar.
Posto isto, caros alunos da Escola Secundária/3 Abade de Baçal, compreendam o seguinte:
Se é verdade que o principal responsável pelo efeito de estufa é o vapor de água e quanto a isso nada podemos fazer. Se é verdade que inúmeros vulcões libertam quantidades enormes de metano para a atmosfera e que este em contacto com o oxigénio forma dióxido de carbono e nada podemos fazer. Se é ainda verdade que o dióxido de carbono é fundamental para a realização da fotossíntese de que resulta o oxigénio que respiramos e nesta caso ainda bem que nada podemos fazer.
Afinal o que pode cada um de nós fazer? Muita coisa. Anda mais a pé ou menos em veículos motorizados, fuma menos, consome menos energia, utiliza de forma mais eficiente a água, come menos carne e fundamentalmente planta uma árvore.
Sim, esta é provavelmente a tarefa mais importante que podes desempenhar. É fácil, absorve parte do dito dióxido de carbono que está em excesso na atmosfera, produz oxigénio, diminui a desertificação, ameniza as temperaturas, melhora as condições climatéricas gerais e com sorte ainda podes comer algum fruto por ela produzido bem como usufruir da sua sombra.
Em abono da verdade eu pareço estar a brincar, mas não. Até digo mais, os ilustres presentes na Cimeira de Copenhaga deviam tomar essa como primeira mediada: florestar. Parece-me que essa seria uma das mais simples e mais eficientes medidas.
 
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