| Crónica de Natal |
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| Carina Fernandes - 11ºB | |
| 13-Dez-2009 | |
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Uma tarde, depois de um dia cansativo de aulas, decidi sair da escola e dirigir-me ao shopping, combatendo o vento frio com o meu cachecol e gorro coloridos, para comprar um livro novo para ler durante as férias que estão mesmo à porta. No momento em que entrei, senti-me rodeada por aquela correria de gente que cede ao apelo comercial que cada vez mais corrompe o sentido do Natal nesta época. Na verdade, o Natal, que supostamente deveríamos comemorar no dia 25 de Dezembro, chega no mês de Outubro. Todos os anos, nesse mês, começo a ver as lojas enfeitadas com luzes coloridas, árvores de natal vermelhas (porque até a natureza queremos contrariar), sinos e – o mais incómodo – músicas de Natal, esses clássicos de Natal que nos acompanham o dia todo, e que até no duche nos sentimos tentados a cantar nesta altura do ano.
E se eu não gostasse do Natal? Ou pior ainda. E se eu trabalhasse num shopping e não gostasse do Natal? Era obrigada a ouvir todo o dia as mesmas músicas durante três meses? Afinal o que é o Natal? Sim, é uma data relacionada com reunião familiar, mas não esta a que nos habituaram desde crianças. As crianças não sabem qual é a essência do Natal, só lhes foi ensinada a ansiedade que sentem quando acordam cedo no dia 25 de Dezembro e correm em busca dos fúteis embrulhos que os enchem de felicidade com um simples brinquedo de plástico. Será que o Natal se tornou um jogo, um brinquedo para a nossa sociedade? Compreendo agora por que é que os comerciantes nos disponibilizam tantos produtos dois meses antes do Natal. No fundo, eles tentam facilitar a nossa vida, já que perdemos horas e horas em busca de presentes perfeitos para toda a família, como se fosse um crime não levar um colorido embrulho aos familiares no dia de Natal. E se, por uma vez, uma única vez, dentro do embrulho fosse felicidade, saúde e companheirismo que é na realidade o espírito desse dia? Certamente, alguns levariam isso como um insulto, já que, para tanta gente, o Natal representa apenas um simples feriado em que se aproveita para dar, uma vez por ano, uma desculpa para o consumismo a que se está habituado durante o resto do ano. E neste Natal, com certeza, a maioria das famílias vai mais uma vez juntar a sua família na mesa de jantar coberta por uma linda toalha com rendas e desenhos de azevinhos, cheia de “coisinhas boas”, e vão jantar em 10 minutos e abrir os presentes sem demonstrar minimamente interesse pela origem desta data, sem pensar nos milhares de crianças que nessa mesma noite estão a passar frio e fome e que sonham estar no seu lugar. As famílias mais pobres são as que têm um mínimo de consciência; estas também vão juntar toda a família, mas vão juntá-la e festejar o facto de estarem todos juntos (o que é cada vez mais raro nos nossos dias), alegres e com saúde, mesmo que não tenham possibilidades de comprar um presente. Feliz Natal! |
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