| Se eu tivesse poder... |
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| Verónica Falcão - 10ºB | |
| 21-Jan-2010 | |
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Numa época em que nos deparámos diariamente com as campanhas políticas dos diversos partidos, numa corrida incessante pelas eleições que marcaram este ano, todos nós nos questionámos, inevitavelmente, sobre qual seria, de facto, o melhor candidato e se, realmente, os argumentos por ele defendidos correspondiam às necessidades fundamentais e fulcrais do país.
Ouvimos constantemente as mais variadas opiniões, mas, infelizmente, uma ideia é já constante na maioria das pessoas: a falta de confiança na palavra dos políticos. Escutam-se promessas, proclamam-se compromissos e já não se consegue crer no que se ouve. Há quem ainda tente, mas acabe sempre por se desiludir e quem, de facto, acredita opta por ignorar os “pequenos pormenores”, que de irrelevante nada têm. Tudo porque talvez se esteja a perder a honra da palavra e o respeito pela pátria que devia caracterizar quem assume tais cargos. No entanto, apesar de todos reconhecermos o estado do país, não reagimos, ficamos fechados nos recantos do pensamento e não somos capazes de intervir, mas condenamos, continuamos a censurar os que, ainda que mal, tentam fazer algo. Na verdade, quem supostamente procura melhorar o que todos sabemos estar mal tem-se preocupado mais em criticar o que é dito pela oposição, em ridicularizar os seus erros, mostrando assim (ou, pelo menos, tentando mostrar) uma superioridade que os faz sentir agradavelmente reconfortados. E, depois, ouvimos repetidamente falar de ética, de civismo, mas onde estão eles se nem quem deveria ser exemplo tem a capacidade de os demonstrar? Há, verdadeiramente, mas como em tudo, muitas contradições entre o que é dito e o que, na realidade, se faz. É necessário, então, saber pensar em soluções para o que a todos inquieta, em vez de criticar. Pus-me, por isso, a pensar no que mudaria, caso tivesse autoridade para tal. Jogando com as ideias e sabendo que pouco sei do que ao país e à minha região faz falta, falo do pouco que me foi permitido ver até agora. Todos os dias, ouvimos as notícias de um novo empreendimento, novos projectos e construções que dizem ser para bem dos portugueses, mas ou o Norte não é Portugal, ou eles se têm realmente esquecido disso. Assim, se eu tivesse poder, dinamizaria a região transmontana, melhoraria as vias de comunicação, faria investimentos que permitissem fazer “crescer” o que até agora se tem visto no fundo da lista de prioridades, ao invés de continuar a valorizar apenas uma parte do país. Mas, para fazer uma mudança, não basta pensar parcialmente, há que se reflectir sobre o que, na generalidade, devia mudar. E assim, falando da Educação, que é a área na qual mais me envolvo, se eu tivesse poder, acabaria com as aulas de substituição, uma vez que estas não têm sido utilizadas em proveito da compensação da matéria perdida no tempo em que o professor falta, ou imporia como condição uma melhor gestão das mesmas. Poria fim às aulas de 135 minutos, pois estas tornam-se demasiado cansativas e os alunos, no decorrer do tempo, começam a deixar de prestar atenção ao assunto tratado. Reabriria algumas das escolas que têm vindo a ser fechadas, tornando a vida de algumas famílias mais difícil, pelos transportes, pela distância e pela falta de meios e apoios que se tem verificado. Procuraria uma nova forma de avaliação dos professores, mais justa e correcta. Por último, insistiria numa educação ambiental de maior calibre, que alertasse os alunos para a necessidade de se preservar não só o meio ambiente mas também todo o património que nos pertence, sensibilizando-os para o bem-estar das gerações futuras, familiarizando também os estudantes com os conceitos básicos de política e de cidadania, indispensáveis para uma vida responsável em sociedade. Para além disso, e no que toca à saúde, se eu tivesse poder, reabriria as urgências e algumas das maternidades fechadas, que já levaram a situações intoleráveis num país que se diz civilizado. Tentaria reduzir as listas de espera, para as diversas intervenções cirúrgicas, nomeando mais médicos para tais serviços. Facultaria mais meios para o tratamento e devida investigação de doenças oncológicas, que em Portugal não têm assumido a importância que deviam, e tornaria os serviços dos hospitais públicos mais baratos, possibilitando um maior apoio a famílias com poucos rendimentos. Das outras áreas, o pouquíssimo conhecimento que tenho não me permite falar, mas no sonho ficam sempre mudanças de maior volume que permanecerão no imaginário. Transformações como o fim da pobreza, a extinção do racismo, a morte da guerra, o termo das diferenças sociais. Alterações que se mantêm no pensamento de cada um e que de lá esperamos um dia ver sair. Por agora, e após uma maratona terminada que vimos prolongar e que teve um fim pouco feliz que nos mostrou a realidade dos conflitos políticos revelada da pior maneira com a perda de uma vida, resta-nos especular sobre a verdade das palavras proclamadas em que votámos e ver se é desta vez que conseguimos assistir a um exemplo de civismo. |
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