| O Jornalismo em Bragança |
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| César Urbino Rodrigues (jornalista e professor) | |
| 05-Fev-2010 | |
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Do homo faber ao homo sapiens Em finais de 1984 dirigi-me à então RDP-Nordeste, coordenada pelo saudoso Joaquim Berenguel, no sentido de acordarmos um programa exclusivamente dedicado aos problemas da educação do concelho de Bragança. “Alpha-Beta” foi o nome que, juntamente com mais 3 colegas meus convidados, escolhemos para esse programa. Dos 10 minutos iniciais, o programa depressa se estendeu a 15 minutos e, depois, a meia hora. ![]() Os leitores perguntarão: porquê esta história passados 25 anos? É que foi esta foi a história que de imediato me veio à memória quando a Directora deste jornal, a Professora Luísa Lopes, me convidou a fazer um breve texto sobre a situação do jornalismo em Bragança, na última década. Só que é impossível fazermos essa história sem recordarmos, ainda que ao de leve, o panorama jornalístico de Bragança alguns anos antes. E recordo que na altura, em finais de 1984, havia apenas um jornal regional – O Mensageiro de Bragança – e uma emissora local, que era a delegação brigantina da Rádio Difusão Portuguesa. Só nos finais de 1985 é que surgem o então quinzenário A Voz do Nordeste e a Rádio Brigantia, esta, na altura, ainda com o estatuto de rádio pirata. Alguns anos depois é criada a RBA, seguida dos jornais “Nordeste Informativo” e “Nordeste”. Mais tarde, ainda, a RTP estende-se a Bragança e estabelece uma delegação permanente na capital de distrito. Entretanto, não obstante todos estes títulos e todas estas emissoras se manterem ainda em plena laboração, o sector da comunicação social sofreu profundas alterações, tanto em Bragança como no resto do país, como aliás aconteceu em muitos outros sectores da vida nacional, por força tanto da integração de Portugal na União Europeia e subsequente subida do nível de vida da população, como da evolução tecnológica entretanto registada. Efectivamente, em termos sócio-profissionais podemos dizer que a situação do jornalismo em Bragança evoluiu significativamente não só em termos quantitativos como em termos qualitativos. De facto, em 1985, a grande maioria dos jornalistas de Bragança não dispunha de qualquer licenciatura, e dos seus poucos titulares nenhum tinha qualquer diploma em comunicação social. Agora, ao invés, são uma minoria reduzidíssima os que não têm um curso superior, ainda que por vezes se possa questionar a qualidade de algumas dessas licenciaturas, como aliás acontece um pouco nas outras áreas profissionais. Nem sempre uma licenciatura é sinónimo de qualidade, sobretudo numa área tão abrangente como a da comunicação social, em que se exige uma tarefa multidisciplinar apoiada numa grande cultura geral e num particular conhecimento da Língua Portuguesa, tão maltratada por muitos dos nossos jornalistas de hoje que, por vezes, incorrem em erros de palmatória em termos ortográficos e de pontuação, para já não falar nos clichés descarnados e sem alma da maior parte dos textos informativos. Em todo o caso, um mau jornalista portador de um diploma de licenciatura sempre será menos mau do que seria se não tivesse um curso superior, assim como um mau professor - que também os há - seria muito pior se não tivesse qualquer formação científica ou pedagógica. Mas o factor de mudança mais importante nestes últimos 15 anos foi a evolução tecnológica entretanto verificada. Muitos dos leitores talvez nem saibam o que é um telex, eventualmente alguns até ignorem o que é um fax. No entanto, em 1985 o telex era o único equipamento de transmissão à distância de dados escritos, e quando foi substituído pelo fax passou-se como que da era do homo faber para a do homo sapiens. Todavia, a grande revolução tecnológica deu-se com a internet e com a fotografia digital. Só que este texto já ultrapassou os 3000 caracteres definidos pela Drª Luísa Lopes e, por isso, deixaremos para uma próxima oportunidade a análise dos efeitos no mundo da comunicação social desses dois inventos tecnológicos, massificados a partir dos finais da década de 90, mas sobretudo nesta primeira década do século XXI e do 3º milénio. |
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