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Rosário Caldeira, coordenadora interconcelhia RBE   
15-Fev-2010
10 anos a construir o futuro
 
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Em 1996, O Ministério da Educação constituiu um grupo de trabalho para elaborar um diagnóstico sobre bibliotecas escolares em Portugal. Este grupo de trabalho, coordenado por Isabel Veiga, actual Ministra da Educação, era constituído por Cristina Barroso, José António Calixto, Teresa Calçada e Teresa Gaspar.
O relatório resultante deste estudo, intitulado Lançar a Rede de Bibliotecas Escolares (Veiga et al, 1996), denunciava um grande atraso da sociedade portuguesa comparativamente com as suas congéneres europeias, no que respeita aos hábitos de leitura e às competências de literacia da população. O documento apontava, também, para a ausência nas escolas portuguesas de um elemento fundamental que ajudasse a contrariar estes números preocupantes: bibliotecas escolares modernas, bem equipadas e com fundos documentais ricos e diversificados, em regime de livre acesso. Segundo os autores deste estudo, faltava “um serviço de biblioteca que deveria ser básico, permanente e estimulante”. Foi, então, criado o Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) coordenado até hoje por Teresa Calçada.
Em 1997, primeiro ano de execução do Programa, apareceram as primeiras bibliotecas escolares (164) criadas segundo parâmetros actualizados e em consonância com as referências difundidas por Organizações Internacionais como a UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) e a IFLA (International Federation of library Associations and Institutions). O IFLA/UNESCO Library School Manifesto (UNESCO, 1999) pode ser considerado o documento internacional de maior importância no que respeita às bibliotecas escolares. Implementado no terreno o Programa RBE, as escolas integradas mudavam completamente as suas práticas no que respeita à promoção e difusão da leitura.
Em 1999, o Programa RBE intervém no concelho de Bragança iniciando uma rede concelhia de bibliotecas escolares. Nesse ano são intervencionadas as Escolas Secundárias Abade de Baçal e Miguel Torga, a EB2,3 Augusto Moreno e as Escolas de 1º ciclo nºs 9 e 10 (Mãe d’Água e Campo Redondo). No ano seguinte, seguir-se-ão as integrações da Escola Secundária Emídio Garcia e da Escola de 1º ciclo nº 5 (Estação). Em 2003 será integrada na RBE a EB2,3 Paulo Quintela, em 2004 a Escola Básica de 1º ciclo do Toural e, finalmente, em 2008, a EBI de Izeda consegue a integração da sua biblioteca escolar na RBE vendo nascer na escola um espaço moderno, bem equipado, convidativo à leitura e à pesquisa da informação em diferentes suportes. São estas as escolas que constituem, actualmente, a rede concelhia de bibliotecas escolares de Bragança.
No entanto, uma verdadeira rede pressupõe colaboração, cooperação e partilha de recursos, sejam eles físicos, materiais ou humanos. Segundo o Relatório Lançar a Rede de Bibliotecas Escolares (Veiga et al, 1996), deveria instituir-se, a nível concelhio, em coordenação com o Ministério da Cultura e com as autarquias / bibliotecas municipais um Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE).
Porém, durante anos, as bibliotecas escolares do concelho de Bragança, à semelhança do que se passava na grande maioria dos concelhos do país, desenvolveram as suas práticas dentro das respectivas escolas para uma comunidade pequena, fechadas ao exterior. A partilha era tímida e esporádica, resumindo-se a actividades pontuais, sem planificação e articulação prévias. Em 2008, as coordenadoras das bibliotecas escolares das escolas integradas na RBE iniciam um trabalho conjunto de planificação de actividades e partilha de experiências e de recursos. Porém, 2009 representará o ano de viragem neste processo com a institucionalização do SABE através da assinatura de um protocolo entre a Câmara Municipal e as escolas. Desde então, realizam-se reuniões mensais com a presença da bibliotecária municipal e, sempre que oportuno, outros membros da autarquia ligados à educação, professoras bibliotecárias das escolas do concelho e coordenadora interconcelhia da RBE. Planificam-se actividades conjuntas, articulam-se projectos e partilham-se experiências e materiais no âmbito da gestão e dinamização das bibliotecas. Esta parceria, bibliotecas escolares / biblioteca pública, tem vindo a fortificar-se, contribuindo para uma acção efectiva na promoção do livro e da leitura.
O presente está construído, mas na Sociedade da Informação e do Conhecimento este presente já é passado. Novos contextos obrigam a novos desafios. O futuro passa, indubitavelmente, pela criação de um catálogo colectivo concelhio onde estejam alojados os fundos documentais de todas as bibliotecas do concelho (municipal e escolares) e se encontrem acessíveis de forma eficaz e completa. A constituição de um catálogo colectivo rentabiliza custos, facilita o empréstimo interbibliotecas, agrega esforços em seu redor, constituindo-se como um factor de coesão entre bibliotecas escolares e biblioteca municipal.
 
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