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O Parque de Ciência e Tecnologia “Brigantia-EcoPark”, localizado na Avenida Cidade de Léon, em Bragança, foi lançado em março de 2012, com a perspetiva de, numa década, criar 480 postos de trabalho e atrair 110 empresas, com um investimento de 9,5 milhões de euros, tendo a inauguração ocorrido três anos depois. Este espaço é apontado como um caso exemplar, pois apesar de ser o mais periférico da rede PortusPark, ultrapassou as melhores expetativas que eram apontadas quando foi inaugurado.
Hernâni Dias é, desde 2013, Presidente da Câmara Municipal de Bragança. No âmbito das funções de autarca desempenha vários cargos em associações, fundações, empresas municipais e intermunicipais, e entidades de cooperação transfronteiriça e transnacional. Destaca-se, aqui, o papel de Presidente do “Brigantia-EcoPark”.

Há quanto tempo nasceu o Brigantia Ecopark?
O Parque de Ciência e Tecnologia Brigantia-EcoPark é uma infraestrutura localizada na Av. Cidade de León, n.º 506, em Bragança que, apesar de inaugurado ao público no dia 30/08/2015, nasceu em 2008 através da criação de uma associação privada sem fins lucrativos intitulada: Associação para o Desenvolvimento do Brigantia Ecopark. A sua estrutura de gestão pluri-institucional, remete-nos para um modelo de governança diferenciador e inovador (Triple Helix ou Hélice Tripla), que interliga os agentes públicos locais de relevo numa estratégia de desenvolvimento e crescimento sustentável.
São membros fundadores da associação: Câmara Municipal de Bragança (CMB), Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Câmara Municipal de Vila Real (CMVR), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e a Associação do Parque de Ciência e Tecnologia do Porto (Portus Park).


Pode explicar em que consiste o Brigantia-EcoPark?
O Parque de Ciência e Tecnologia “Brigantia-EcoPark” é um espaço de ciência e tecnologia para apoio a empresas consolidadas e a empresas incubadas, ambas de base tecnológica. Possui, ainda, espaços laboratoriais para apoio à investigação, desenvolvimento e inovação.
O principal objetivo do Brigantia-EcoPark é promover a cultura do empreendedorismo, inovação e da competitividade na região de Trás-os-Montes e Alto Douro, apoiando a investigação, o desenvolvimento e o surgimento de empresas de base tecnológica.


Qual a razão para a escolha deste nome?
As questões associadas às problemáticas da Energia, Turismo, Ambiente e Eco-Construção num enquadramento regional muito natural, onde as valorizações dos recursos endógenos apontam para a definição de modelos de negócios sustentáveis que serviram de áreas base para a escolha da palavra “Eco”. Já a palavra Brigantia, remete-nos para as origens do nosso território, o território de Bragança.


Como surgiu a ideia de criar um espaço como este, quais os objetivos da sua criação?
A ideia surge em 2004 aquando da definição de uma estratégia que vise transformar Bragança, num horizonte de médio-longo prazo, numa Eco-Cidade, uma cidade e concelho Smart, atrativa, competitiva e focada no bem-estar das pessoas, pois elas são a nossa principal prioridade.


Houve alguma mudança estratégica desde a sua inauguração?
Os objetivos definidos na estratégia inicial mantêm-se, nomeadamente no que respeita à retenção e captação de talento, captação de empresas e investimento que fomente a criação de emprego qualificado e altamente qualificado, ou seja, emprego de base científica e tecnológica que, neste última caso, permitiu o surgimento de uma nova área no seio do Brigantia Ecopark, a das Tecnologias de Informação (TI).

 

Quais as áreas de interesse do Brigantia Ecopark?
As áreas das engenharias (civil, eletrotécnica e mecânica), com especial ênfase àquelas relacionadas com a informática que predominam claramente, mas também áreas como as da gestão, contabilidade e marketing, sem esquecer as que estão relacionadas com aquelas que promovem atividades laboratoriais no seio do parque (Biologia, Química e Ciências Agrárias).

 

Que vantagens têm as empresas ao se fixarem neste espaço?
A principal vantagem, além de usufruir das excelentes instalações do parque, é a de integrar o ecossistema do Brigantia Ecopark, pois este integra redes nacionais e internacionais que permitem às empresas e empreendedores alargarem o seu network, sem esquecer a forte ligação com o Ensino Superior, nomeadamente com o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), fonte próxima do conhecimento científico e de recursos humanos qualificados e altamente qualificados.

 

Que mudanças do seu ponto de vista viu com a criação deste espaço para a cidade de Bragança?
A principal mudança está relacionada com os postos de trabalho criados que, à presente data (05 de maio de 2023), apontam para cerca de 370 colaboradores, 94% das quais com habilitações superiores (Licenciatura, Mestrado ou Doutoramento), que promovem diariamente dinâmicas e mais economia para o nosso concelho e para a nossa região, mitigando o efeito do nosso principal desafio que é o demográfico.

 

Pode apresentar resultados da evolução do Brigantia Ecopark, tais como o nível de instalações, promoção de facilidades para os diversos intervenientes, número de parceiros e número de trabalhadores diretos e indiretos?
O parque possui um universo de cerca de 370 colaboradores dispersos por 75 empresas, o laboratório colaborativo MORE, o Centro Nacional de Competência dos Frutos Secos e a Secretaria de Estado para o Desenvolvimento Regional, que representam uma taxa de ocupação de 96,87%.
3 empresas incubadas no Parque (Tree Flower Solutions, Lda, C-Pack Creative Packaging, Unipessoal, Lda e BNH, Lda) preparam-se, no decorrer do presente ano, para expandir as suas atividades empresariais para a nova Zona de Acolhimento Empresarial de Bragança, através da aquisição consumada de 12 lotes e uma previsão de criação de mais de 160 postos de trabalho.
A incubadora está acreditada, desde o dia 02/11/2022, como Entidade de Acolhimento para projetos no âmbito da medida “Empreende XXI” (IEFP e Startup Portugal).
Encontramo-nos atualmente num novo processo de caraterização aos colaboradores das empresas sediadas no Parque, porém, dados preliminares dão conta que o rácio acima dos 94% referente aos postos de trabalho qualificados ou altamente qualificados existentes no parque (≥ Licenciatura) mantêm-se, sendo que cerca de 76% dos quais possuem uma relação direta com o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), seja através de um CTesp, Licenciatura e/ou Mestrado.
De salientar o impacto anual do volume de negócios associados às nossas empresas que ultrapassa os 25M€ e os mais de 6M€ associados às remunerações dos colaboradores que impactam de forma direta na economia do concelho de Bragança.

Quais as expectativas em relação ao futuro?
As expectativas assentam essencialmente na continuação do trabalho desenvolvido no Brigantia Ecopark, bem como, o arranque da fase 2 do parque que envolve a construção de outro edifício contíguo ao existente com vista à captação de novas empresas de base científica e tecnológica, por forma a gerar mais e melhor emprego, um emprego qualificado e com remunerações acima da média.
Num território do interior como o de Bragança, o Brigantia Ecopark é um benefício diferenciador e importantíssimo para o desenvolvimento demográfico e económico da região de Trás-os-Montes.

 

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