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29-Nov-1999

 

 

Maio - 2010 
Luísa Diz Lopes 
Quanto vale um  prémio, para lá da vertente material e quantificável que o acompanha?
Motivo de orgulho, o reconhecimento público de um trabalho eleva a auto-estima, estimula o crescimento e a vontade de arriscar novos percursos e de fazer mais e melhor. E estes aspectos não são mensuráveis. Os pequenos grandes jornalistas do OP sabem que este reconhecimento não tem preço, mas vale muito.

Quanto vale o mundo em que vivemos? Neste Ano Internacional da Biodiversidade, está é uma questão premente face às alterações que o mundo vegetal, mineral e animal tem sofrido. E porque a solução também está nas mãos de cada um e a cidadania se constrói nesta intervenção responsável, o OP apresenta um caderno especial dedicado ao verde, que aqui assume o sentido de cor da vida.

Qual é o valor da liberdade? Num período em que se comemorou mais um aniversário do 25 de Abril, a reflexão sobre este valor fundamental da democracia e outros directamente relacionados com ele, como é o caso da expressão de ideias e a construção da responsabilidade individual, impõe-se sobretudo num espaço com uma importância fundamental na construção da cidadania como a escola.

Quanto vale um ídolo eleito num concurso televisivo? São vários os concursos que a televisão apresenta com uma vertente sobretudo lúdica. Ídolos é uma das provas da popularidade deste tipo de programas. Com uma elevadíssima e crescente audiência, consagrou ídolo musical um jovem. Será que este sucesso é um passaporte válido para uma carreira de qualidade e de sucesso no mundo da música? O OP acompanhou a construção deste ídolo e reflecte sobre a importância deste tipo de sucesso.

Quanto valem os testes intermédios? A importância deste instrumento de avaliação externa e interna é alvo de acesas discussões e críticas. A autonomia da escola na realização destes testes e no peso a atribuir a estas provas de exame na avaliação final do aluno é posta em causa pela disparidade que se verifica a nível nacional. Se há escolas que não aderem a esta modalidade de avaliação, outras atribuem-lhe um peso que vai dos 20% aos 100%.

Que valor tem o estatuto do aluno?
Consagra direitos e deveres, que estão longe de ser consensuais e que, sobretudo, não se sabe se efectivamente contribuem para a construção de alunos mais sérios, mais responsáveis, mais conscientes do seu papel na escola e na sociedade.

Este número propõe uma reflexão sobre estes temas e ainda nos convida a uma viagem pelo verde, pelo palco do Teatro Municipal de Bragança e salas do Centro de Arte Contemporânea, pelas andanças do Parlamento dos Jovens, dos desafios de ciência, língua, literatura, geografia, xadrez e por outros espaços que os alunos ocuparam. Também o valor desta participação dos alunos na vida da escola não está calculado, mas vale muito. Referi-lo aqui é uma questão de justiça.

 

Fevereiro - 2010 
Luísa Diz Lopes 

 2010 marca o início de uma nova década. Atentos à realidade do meio em que vivemos, não podemos deixar de ficar preocupados quando recebemos alguns sinais que sugerem que a crise em Bragança não tem uma faceta apenas económica.
Um olhar sobre a cidade mostra-nos as ruas mais desertas ao fim da tarde, à noite e ao fim de semana, uma diminuição de carros em hora de ponta, as portas de antigas casas comerciais fechadas, as lojas mais recentes desertas, as salas de cinema que constantemente ameaçam encerrar, os jovens recém-licenciados que não regressam porque não vislumbram aqui perspectivas de trabalho e de desenvolvimento. Estes são  alguns dos sinais que a cidade nos envia e aos quais não podemos ficar indiferentes.
Voltamos a olhar e constatamos que há espaços novos e atraentes - uns recentemente criados, outros renovados. O Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, o Teatro Municipal, o Conservatório de Música de Bragança, o Mercado Municipal, o Centro Ciência Viva, a zona Verde do Fervença, O Parque do Eixo Atlântico são alguns dos que exibem orgulhosamente o rosto da modernidade em Bragança. As ruas, os passeios, as placas e a zona habitacional da Braguinha sofreram uma forte transformação e conferem-lhe um ar de grande cidade, que a fraca  movimentação humana e de veículos contradiz. São múltiplas as gruas que rasgam o céu indiciando uma forte carga de construção, que não pode deixar de surpreender quando ouvimos os números relativos aos habitantes da cidade. É também visível a vontade de preservar o ambiente e diminuir o consumo energético da cidade – nos parques eólicos que começam a surgir, nos painéis solares que de onde  em onde brilham nos telhados das casas.
Se alargamos esse olhar encontramos montes que rodeiam a cidade e ajudam a que nela seja possível conjugar o urbano e o rural de forma harmoniosa. Lembramos, então, o Parque Natural de Montesinho, a pureza do Rio Maçãs, a defesa do lobo e do veado, a consagração do cão de gado transmontano como raça portuguesa, a certificação de produtos elaborados a partir do porco de raça bisara, a autenticidade de produtos ancestrais que durante algum tempo esquecidos surgem renovados e adaptados às exigências do tempo…
Bragança parece, então, viver uma aparente contradição: um espaço que parece reunir todas as características para agradar, mas que não consegue criar novas estruturas comerciais e empresariais de sucesso, cativar novos habitantes e manter fiéis todos os que por cá passam.
No sentido de promover uma reflexão sobre esta situação, analisando o passado, olhando o futuro e apresentando sugestões que se aproximem do querer da população da cidade, o Outra Presença convocou para este número alguns olhares, cujos protagonistas têm assumido um papel de relevo nas áreas observadas: urbanismo, arquitectura, artes e espectáculos, ensino profissional, jornalismo, investigação. Apresenta, também, a visão dos jovens jornalistas do OP, que apresentam sugestões de melhoramento de alguns dos espaços citadinos focados. Este é o ponto de partida para uma discussão que gostaríamos de ver alargada a toda a comunidade, por isso abrimos um fórum no OP online. Envie por mail a sua sugestão/opinião/reflexão e participe nesta reflexão sobre a cidade, dando o seu contributo para fazer dela a cidade de todos. Nós prometemos publicar todas as contribuições e fazê-las chegar às instituições que têm poder para tomar decisões nas diferentes áreas. Não fique indiferente. O próximo número apresentará outros olhares que, por questões de tempo e espaço, não couberam neste.

  Maio 2009
 Luísa Diz Lopes 
Este número assinala os 50 anos do jornal desta escola. Quisemos com ele recuperar a sua história, recordar aqueles que mais têm contribuído para a sua construção coordenando ou colaborando de forma continuada na sua elaboração e colocando, assim, este jornal no lugar que ele soube conquistar.
Recuámos mesmo 50 anos e fomos ao encontro do seu progenitor, Hirondino da Paixão Fernandes, que habita em Coimbra desde 1974, data em que deixou o cargo de director da Escola e órfão o Presença, cuja publicação foi então interrompida até surgir o Outra Presença. Fez-se, então novamente jornalismo na Escola. Até hoje!
O Outra Presença é a herança do Presença.. No cerne do seu nascimento estava a vontade de divulgar trabalhos elaborados por um grupo de alunos, de forma a estimulá-los para o exercício da escrita. Rapidamente  saiu do âmbito da turma no qual surgiu e ganhou a dimensão da escola. Foi crescendo ora em formato, ora em número de páginas até se transformar em boletim/revista em 1967 e ser uma referência no panorama nacional. Espelho dos tempos, é fácil vislumbrar por trás de cada texto o retrato sócio-político do Portugal do Estado Novo, como o qual se rompeu há 35 anos. Uma revolução, um interregno e um novo regime político separam o Presença do Outra Presença, que em 2009 celebra 20 anos, mas, como o nome sugere, este soube continuar a obra do seu antecessor sem romper completamente com ele. A sua existência hoje  depende, em parte, dessa capacidade de assimilar e transformar em vez de romper e renascer. Penso que o Outra Presença teve essa capacidade. Aqueles que têm liderado este projecto encaram-no sempre como algo que veio para ficar. O Outra Presença tem sabido olhar para trás e delinear o futuro a partir desse ponto. O mesmo fez o Presença. Por isso olhamos para trás e apercebemo-nos de uma evolução a dois tempos: o do Presença e do Outra Presença. Cada um deles soube encontrar o seu espaço e crescer. Entre um e outro está a revolução de Abril. Outro tempo, mas uma presença constante.
Sabendo da existência deste percurso era imperioso conhecê-lo, o que não era tarefa fácil pelo facto de não existirem em arquivo exemplares do Presença. Lançámos um apelo para que nos ajudassem a recuperar esta história e fomos ouvidos. Hoje a Escola pode orgulhar-se de ter todos os exemplares (originais ou cópias) dos jornais que se publicaram neste estabelecimento de ensino nos últimos 50 anos. E é possível contar esta história. E é possível recuperar momentos, pessoas, tendências. È preciso, por isso, fazer justiça e agradecer a generosidade da Paula Minhoto, da Amélia Morgado, do Jorge Silva, do José Luís Gonçalves e do fundador do jornal, que forneceram estes exemplares, permitindo-nos realizar a exposição narrativa que pode ser visitada na Biblioteca e construir o Suplemento que é distribuído com esta edição e no qual organizámos cronologicamente edições e testemunhos.
Na impossibilidade de nele figurarem todos os que contribuíram para a construção do jornal, convidámos os elementos das diversas equipas responsáveis pela publicação, os alunos que pertenceram ao Clube de Jornalismo ao longo dos últimos anos e outros cuja participação era contínua e tinha um carácter jornalístico. Este espaço pertence-lhes. Também recuperámos alguns momentos determinantes como transformações profundas ao nível do formato, logótipo, entrada no universo digital, ilustração, entre outras.
50 anos são centenas de pessoas. Pequenos e grandes jornalistas que fizeram a história deste jornal. Um jornal que tem sabido crescer em qualidade e quer verdadeiramente afirmar-se como espaço de intervenção colectiva.
Os pequenos jornalistas que constituem o Clube, criado há seis anos, são uma parte determinante deste processo. A eles cabe assegurar que em cada ano o seu projecto de acção se cumpre, a eles se pede que sejam cada vez mais jornalistas e menos contadores de histórias. Mas esta tarefa não se esgota neles. O jornal deve a sua existência a muitos professores, funcionários,  alunos, pais e outros elementos exteriores à escola que contribuíram com o seu tempo, reflexão e empenho para este projecto. Os nomes de todos quantos o ajudaram a crescer estão registados nos milhares de páginas que compõem o seu arquivo.
O jornal é um apelo ବ intervenção. Por ele são os diversos intervenientes da comunidade educativa convidados a ser jornalistas, a exercerem o exercício da escrita, a observarem e relatarem. Os convites que, de início, são redobrados até receberem resposta deixam gradualmente de necessitar de repetição. O hábito de ver, ouvir, participar e relatar entranha-se e o apelo inverte-se: “Amanhã, há uma palestra. Podem tirar uma fotografia?”. E o jornalismo acontece nas Ciências Exactas, Sociais e Humanas, nas Línguas e nas Expressões, no Desporto, na Biblioteca e Centro de Recursos, na Educação Especial, no Centro Novas Oportunidades, na Associação de Pais. E o vazio deu lugar ao rodopio. O jornal veio para ficar e é um dos rostos desta escola.
Por isso é com satisfação que se publica esta edição especial, que se preparou uma exposição narrativa dos 50 anos do jornal e que  se organizou um encontro comemorativo.Em nome desta equipa um sincero agradecimento a toda a comunidade educativa.
 
 Jan-09
Luísa Diz Lopes

Não fosse a agitação, a indecisão, a revolta e o descrédito que as recentes medidas educativas trouxeram e este ano lectivo seria vivido como especial por esta comunidade educativa, porque efectivamente ele traz eventos que o tornam mais único do que os anteriores.
O primeiro número do jornal desta escola foi editado há 50 anos, fruto da vontade de um grupo de jovens que queriam inscrever-se no seu tempo e no espaço que ocupavam. E conseguiram. Cinquenta anos depois estamos aqui para os homenagear. Trinta anos depois, em 1989, é editado o primeiro número do Outra Presença, numa tentativa de, dando continuidade ao seu antepassado, continuar a marcar presença no universo escolar da cidade e dar voz a todos quantos desejassem. Também estamos aqui para não deixar esquecer este acontecimento. Os próximos meses serão disso testemunho.
Para já fica uma pequena mudança na representação gráfica do nome do jornal. A escolha advém da vontade de não romper com o Outra Presença destes últimos 20 anos, mas querer renová-lo. Fez-se justiça porque entre aqueles que mais convivem com o jornal há muito que o Outra Presença é OP.
Comemorar 50 anos de jornal escolar e 20 de Outra Presença bastaria para animar a alma, se os nossos olhos estivessem apenas virados para o passado. Mas não é isso que acontece. Portanto, com a vontade e energia colocadas no presente, houve tempo e capacidade para receber João Aguiar, acolher Ana Andrade, desafiar a sabedoria, resistência e criatividade dos alunos com concursos, campeonatos, enigmas e propostas, proporcionar à comunidade educativa interessantíssimos colóquios, debates e exposições, criar novos desafios e reinventar os existentes, auscultar opiniões e tendências, partilhar experiências e saberes, recolher alguns testemunhos e homenagear outros tantos, conviver dentro e fora do espaço educativo. Tudo isto resultou da congregação de esforços, da partilha de saberes, da união de capacidades. E muito mais aconteceu e está para acontecer neste fervilhar de acções que caracterizam o quotidiano deste estabelecimento de ensino.
Estamos a entrar no segundo semestre. Para trás ficam dias de greve, jornadas de manifestação em Bragança e Lisboa, reuniões e, quero acreditar, sobretudo a união que de tudo isto resultou. Esta escola soube falar a uma só voz, viveu momentos de uma saudável e coerente unidade, congregou esforços numa luta pela sua própria dignificação e provou merecer o respeito de todos. São tempos difíceis e nem sempre a coragem é forte, mas tem havido uma mão amiga, um sorriso que restabelece a confiança.
Uma aluna num texto neste jornal refere, a propósito de Bragança, que muitos referem como “o fim do mundo”, que “se o fim do mundo é isto, deixem-me ficar aqui para o ver”, palavras que reflectem bem o orgulho de pertencer a este espaço. É também com orgulho que digo “se estes são os últimos dias de uma escola pública com alguma dignidade então eu quero acabá-los na Secundárias  Abade de Baçal”.

 

Jun - 08
Luísa Diz lopes

Quero acreditar que depois do dia em que o vídeo da vergonha teve público, a perspectiva dos agentes educativos com capacidade de decisão sobre o futuro da educação e das escolas deste país mudou. A imagem provou novamente valer mais do que mil palavras e surgiu como uma bofetada tornando visível aquilo que muitos procuravam escamotear: a indisciplina é uma realidade; a tecnologia colada aos jovens nem sempre é bem usada; a Internet tem um lado negro que é preciso regulamentar e vigiar de forma mais apertada; os responsáveis do sistema escolar têm sido demasiado brandos ao longo destes anos numa tentativa de não ferir a susceptibilidade dos, ainda existentes, defensores da “escola dos afectos” (lamento que a defesa do rigor não tenha feito escola…); os professores não podem ser sistematicamente desautorizados; os pais nem sempre conhecem bem os filhos que têm; os psicólogos não podem continuar a insistir, como há dias ouvi, que o telemóvel é um prolongamento do jovem e ele fica desnorteado quando se vê privado desse objecto. Muitas cabeças se viram obrigadas a sair da areia, porque o ruído exterior tornava impossível o seu silêncio e indiferença.
Não deixa, no entanto, de ser irónico que seja precisamente um acto de indisciplina o herói capaz de lançar a discussão sobre uma situação que já tantas vezes veio a público. Não foi uma professora que escreveu um minucioso relatório denunciando a ocorrência, foi um aluno que, sem qualquer esforço, excepto o de clicar num botão e esticar o braço para não perder nada, sem necessitar de se informar sobre técnicas cinematográficas, sem precisar de saber falar e escrever, como o reduzido e inapropriado vocabulário mostra, foi esse aluno que filmou e colocou essa sucessão de imagens no mais poderoso meio de difusão de informação, num execrável propósito de exibicionismo.
E escreveu-se direito por linhas tortas. O acto do aluno, que filma e publicita a cena de violência, é condenável e, de uma forma quase inédita, condenado. Ele, que visava o aplauso dos seus pares, desencadeia uma onda de indignação. No entanto talvez não faça sentido que os canais televisivos nos bombardeiem com inúmeras repetições desse episódio, sobretudo porque as suas intenções são sobejamente conhecidas. Não fossem habituais as guerras de audiências, que têm destruído a televisão portuguesa, acharíamos que a intenção era pedagógica. Mas a nossa inocência não chega a tanto e não podemos deixar de recear que a repetição banalize essa atitude junto daqueles que parecem mais receptivos a ela. Se o acto é errado, por que motivo se continua a dar tanto tempo de antena ao aluno que o cometeu? Este que em vez de procurar esconder o acontecimento, fez alarde dele sem sentir sequer necessidade de ocultar a sua identidade; este que, em vez de se indignar com a falta de educação da sua colega, viu nela uma oportunidade de chacota e de auto-promoção; um aluno que pura e simplesmente desconhece os limites da decência.
A imagem chocou: um professor humilhantemente impotente perante uma aluna; alunos completamente desprovidos de verdadeiros valores subjugados aos tiranetes líderes da turma; um telemóvel no centro da explosão; uma escola subitamente enlameada por jovens que não a merecem. Se alguém inicialmente tentou sorrir desvalorizando a gravidade do problema, viu-se obrigado a ficar solidariamente chocado.
E este abalo deve ser acarinhado, tem que se manter activo para nos abanar tanto que nos obrigue a reagir veementemente. Que force a sociedade a reflectir e a decidir as linhas que a devem nortear, agora sem vendavais videofonísticos que lhe toldem a clarividência.
E a escola? Repetidamente nomeada dia após dia, difamada, tem colado a ela o vídeo vergonha que a catapultou para uma fama que não pediu. De facto, os aspectos positivos não têm o mesmo impacto, dimensão e repercussão dos negativos. Poucos alunos escolhem uma escola pelo seu sucesso educativo, mas muitos a recusam pela projecção negativa que colegas seus lhe deram. O brilho é efémero e tendencialmente desvanecido, a nódoa é duradoura e levianamente enegrecida.
A Escola Secundária Carolina Michaëlis faz parte do meu percurso de professora. Foi a primeira escola onde leccionei depois do estágio, era, então, o meu segundo ano como professora. Vinha da Escola Secundária António Nobre, uma escola tranquila e dinâmica (tinha, em 1990 o Clube Rádio-Escola a funcionar em pleno, onde havia lugar para notícias, entrevistas, crónicas, passatempos, desafios e, claro, música, tudo num espaço vidrado colocado no centro do convívio) e lembro com nitidez o contraste que a primeira aula na nova escola estabeleceu com as anteriores. A turma tinha cerca de 30 alunos, era da área de Desporto e os 25 rapazes e cinco raparigas presentearam-me com a aula mais difícil que tive até hoje. Coloquei três alunos na rua nessa primeira aula e marquei as respectivas faltas disciplinares. Podíamos fazer isso. Era permitido e não o receávamos. E sei que foi um gesto que me permitiu conseguir controlar a turma durante o resto do ano. Os problemas não acabaram, mas não cresceram como teria acontecido se o meu acto não tivesse sido apoiado pelo Director de Turma e pelo Conselho Executivo. Houve vários Conselhos Disciplinares, resultando invariavelmente em suspensões, mas nenhum dos professores daquela turma baixou os braços ou encolheu os ombros. E a sua determinação, reforçada pela do director de turma, professor de Educação Física, que redobrava corridas, saltos, flexões como penalização ou para tentativa de cansar esses alunos, tentando que estivessem mais calmos nas aulas seguintes, e pela inflexibilidade da direcção da escola, célere na condução dos processos, podem não ter sido pedagogicamente correctas, segundo avalizados estudiosos, mas tornaram as aulas daquela turma espaços de aprendizagem. 
Por isso quando tomamos conhecimento de situações de violência não podemos deixar de lamentar que essa firmeza tivesse fraquejado, que a irreverência tivesse sido desculpada com as vicissitudes da idade, que o rigor e exigência tivessem sido menosprezados por uma pedagogia dos afectos cega e desculpabilizadora; que a palavra consequente deixasse de integrar o léxico de muitos jovens; que a noção de respeito se diluísse no fantástico mundo da banalidade.
Resta esperar que este vídeo colocado no youtube seja uma espécie de detonador de consciências, vontades, decisões e atitudes capazes de inverter esta tendência desresponsabilizadora, protectora do prevaricador e preguiçoso, que está a destruir as escolas. Este aluno, não se sentindo motivado para a aprendizagem, age como se estivesse a fazer um favor à escola com a sua presença. Alguém o convenceu de que tinha o direito de importunar, perturbar se a aula não o motivasse… alguém tem de o convencer agora que a “escola é obrigatória e de inclusão”, mas tem regras e limites…

Jan-08
Luísa Diz Lopes

O Público na Escola atribuiu ao nosso jovem Outra Presença on-line o primeiro prémio. Foi reconfortante ver reconhecido o enorme esforço que levantar este projecto implicou, acentuado pelas contingências financeiras e logísticas, que nem sempre foram ultrapassadas da forma desejada. Sonhámos e concretizámos. Com a colaboração de muitos conseguimos erguer este projecto. Por isso este prémio é para todos quantos nos apoiaram, confiaram em nós e contribuíram para este sucesso, envolvendo os seus alunos, enviando a sua participação, divulgando este jornal.

Agora é tempo de avaliar o trabalho feito e melhorar nas áreas onde tal for possível. Voltar a sonhar para voltar a concretizar. Esta distinção tem também o mérito de nos incentivar a fazer mais e melhor continuando a perseguir os nossos principais objectivos: ser espelho e desassossego da comunidade escolar; desenvolver competências de escrita, leitura  e oralidade; criar cidadãos activos, inconformados e críticos.

Foi esta a perspectiva que nos fez reformular o nosso recentíssimo e premiado Outra Presença on-line. Mantendo em termos gráficos, editoriais e estruturais os traços gerais que o definem, quisemos introduzir-lhe valências que o tornassem mais apelativo, versátil e dinâmico. Nesse sentido, o nosso webdesigner, Rui Garcia, construiu uma nova página, na qual introduziu potencialidades que, esperamos, tornem este jornal mais próximo do querer de todos quantos nos visitem. Depois procedemos à mudança de alojamento e tornámos o acesso a ele mais fácil. Agora o endereço é www.outrapresenca.com. Esperamos a visita de todos e sugestões que nos ajudem a melhorar este trabalho.

Porque nem só de reconhecimento vive este jornal, o prémio monetário que este concurso atribuiu contribuirá para esta melhoria da qualidade que visamos: a aquisição de uma máquina fotográfica profissional e de um módulo de pesquisa para a Biblioteca da Escola incrementará a qualidade das imagens e agilizará o trabalho de pesquisa que os alunos têm de efectuar no decorrer das suas tarefas jornalísticas.

Voltámos a sonhar e concretizámos. Contamos, agora, com o vosso apoio. Visitem-nos, deixem-nos sugestões, enviem-nos trabalhos, participem nos nossos debates, ajudem-nos a crescer e cresçam connosco.


Jun-07
Luísa Diz Lopes 

Este foi um grande ano para o jornal outra presença. O nascimento de um irmão gémeo, mas mais actual e dinâmico, versátil e colorido, interactivo e moderno foi motivo de felicidade e orgulho para todos. Apresentado ao público em Fevereiro foi-se aperfeiçoando ao longo dos últimos meses de forma a ir de encontro às necessidades desta comunidade escolar. Nesse sentido, associaram-se a ele 2 blogs – espaços de livre circulação de ideias - e procurou-se que o email fosse divulgado para poder receber relatos e imagens de acontecimentos. E aconteceu, o primeiro aluno a enviar uma notícia fresquíssima para o endereço do outra presença foi Paulo Lopes do 9º C. Depois outros o seguiram e esperamos que o próximo ano lectivo consolide este novo formato de fazer notícia e as participações voluntárias na sua actualização se multipliquem. Outro facto que contribuiu para que neste ano o jornal fizesse história foi o 3º lugar obtido no II concurso de jornais escolares, dinamizado pelo ISLA de Vila Nova de Gaia.

Também para a escola foi um grande ano. A representação exemplar, surpreendente e grandiosa da peça “Que farei com este livro?” de José Saramago, no Teatro Municipal;  a visita de Luísa Costa Gomes e Filipe Faria, que dinamizaram, respectivamente, oficinas de escrita e fóruns de leitores e deliciaram todos quantos puderam com eles contactar; a ciência na escola que ganhou vida com a abertura dos laboratórios; a semana da leitura, que cresceu e se transformou em meses de actividades dedicadas à leitura e à escrita; os jogos de poder que se viram enriquecidos com as diversas sessões de assembleias jovens; a semana das línguas e da Europa que brindaram a comunidade escolar com exposicões, palestras, sessões gastronómicas e concursos.

Por isso o número de Junho é um Grande número, em todos os sentidos, como é fácil perceber ao folhear as inúmeras e ricas páginas que o compõem. E é com felicidade redobrada que este ano se despede e deseja a todos umas boas férias, pois através da versão online e dos seus blogs espera manter o contacto com todos quantos quiserem escrever, enviar imagens e notícias, comentários, impressões de viagens, leituras, filmes ou músicas. Eu prometo não perder o contacto. Espero não ficar sozinha... Até já.

 

 


Jan-07
Luísa Diz Lopes

1. Em 2007, o Outra Presença reinventa-se, desta vez auxiliado pelas novas tecnologias, e disponibiliza-se online para todos quantos quiserem a ele aceder em poucos minutos, com um mínimo esforço digital. Depois, com um esforço um pouco maior, é percorrê-lo pela ordem que se entender consoante o apelo que cada secção faça a cada um. Seduzido pela versatilidade e rapidez deste modo de comunicação, o Outra Presença procura ir ao encontro daquele que é o seu público e cativá-lo para uma participação activa, crítica e responsável na pequena sociedade que é a escola e que o jornal espelha. Economicamente vantajosa, esta versão permite uma actualização permanente, cumprindo, assim, o jornal mais eficazmente a sua função de divulgação e informação em tempo útil. Deste modo, minimiza-se um pouco a frustração de noticiar acontecimentos apenas alguns meses depois de terem ocorrido. Permite, também, uma resposta pronta por parte dos leitores aos desafios que lhes forem propostos. A versão impressa, publicada periodicamente, constituir-se-á como um complemento e uma oportunidade de desenvolvimento de alguns dos temas. Disponíveis online estarão, também, de forma gradual as edições anteriores desta publicação e a sua história, facilitando assim a sua consulta e piscando o olho a um refrescar da memória.

2. Por força de compreensíveis, previsíveis e conhecidas circunstâncias, o Outra Presença vai perdendo os seus colaboradores. O último ano foi drástico nessa perda, pois, sendo o clube de Jornalismo sobretudo constituído por alunos do 12º ano, viu-se desfalcado com a saída destes para os cursos que pretendiam. Não é fácil repor uma equipa completa, nem é fácil que um jornal, mesmo sendo escolar, não sinta os efeitos dessa saída. É necessário recomeçar, devagar, mas de forma confiante.

3. No seu registo habitual, O Outra Presença procura neste número também abarcar diversos espaços, noticiando e anunciando a escola, mostrando a cidade, reflectindo sobre a actualidade, cultivando o gosto pela leitura, convidando cada um a exercer a sua cidadnia. Procura desta forma constituir-se como um precioso auxiliar no crescimento integral do aluno enquanto cidadão na escola, no meio envolvente e no mundo, objectivo principal do projecto curricular da escola. 4. O jornal desta escola tem dezoito anos. Foi em Dezembro de 1989 que surgiu o primeiro número. Antecipando a comemoração dos vinte anos de existência, vamos iniciar a divulgação de alguns dos artigos publicados em números anteriores. Porque a memória também nos constrói.

 

Ritmos & Paletas

 Ritmos & Paletas

Edição Impressa

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Maio - 2010

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